Lenha para a fogueira

por , em 15/9/16

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Queridas Senhoras,

hoje passámos a manhã na ‘Escola Primária’ (é engraçado como a expressão se recusa a desaparecer). Foi o primeiro dia de aulas do Francisco, que continua a ver o seu Jardim de Infância através das grades, mas que agora sente outro tipo de responsabilidade. Não sei onde é que ele foi buscar as preocupações que tem manifestado nos últimos tempos.

- E se tiver má nota?

- E se eu não tiver espaço na cabeça para tudo?

- E se os outros miúdos gozarem comigo por eu ser pequenino?

- Se eu tiver má nota no primeiro dia a culpa não é minha, pois não, ainda não tive tempo para aprender…

Aos poucos, tenho tentado desconstruir estes monstros assustadores, relativizando e simplificando, mas sempre desejosa de que comece o raio da escola de uma vez por todas, porque tenho a certeza de que mal ele perceba o que é que ali se vai passar vai relaxar. Não sei de onde vêm estas assombrações – sei que não nasceram nem em minha casa nem em casa do pai, isso é certo. São coisas que ele ouve por aí. Felizmente, fala delas connosco. Espero que seja sempre assim.

Mas cá entre nós, enquanto eu o tento tranquilizar, confesso que lido com os meus próprios monstros. A minha ‘primária’ correspondeu a um período muito conturbado da minha infância e, provavelmente por isso, tenho muito poucas memórias claras desse tempo, meia-dúzia de pormenores, apenas. Por isso, cá entre nós, confesso que deposito alguma esperança redentora no que aí vem. Que eu possa restaurar um pouco a minha infância através do Francisco. Será pedir demais? Provavelmente.

Para ele, desejo muita amizade e muita curiosidade. E a coisa dá-se.

Abraço a todas,

Marta

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Dores de crescimento

por , em 3/12/13

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Queridas Senhoras,

tenho um post na calha sobre o envelhecimento, a Céu lançou o tema no facebook e eu tenho tanto, mas tanto para dizer sobre o assunto! Hoje, no entanto, volto ao gasto tema da maternidade, porque os blogues imitam a vida.

Em primeiro lugar, acho que me é devido avisar a navegação das turbulentas águas que constituem o meu humor, ultimamente. Estou sem pachorra. Não é nada de novo, é uma característica minha muito antiguinha. Sou bicho-do-mato, sempre fui, mas também sou sociável, sempre fui (sou geminiana, sempre fui). Quando perco a pachorra, isolo-me e espero que passe. Plenamente consciente deste meu estado, prossigo na narrativa.

A mudança do Francisco da creche para o Jardim de Infância foi dura. Claro que, agora, olhando para trás, parece que até nem custou nada e que ele se habituou num instante. Mas foi dura, sim. Sobretudo, porque mexeu muito com os ritmos fisiológicos dele, o sono e as idas à casa-de-banho. Os Jardins de Infância aboliram as sestas há poucos anos, porque, aparentemente, a falta de espaço ou de tempo ou seja lá o que for dos equipamentos é mais importante do que a sanidade das nossas crianças. E o Francisco era muito apegado à sesta dele. Agora já a deixou de lado, mas a custo de adormecer às 20h30, o que implica jantar às sete, o que implica tomar banho às seis, seis e pouco (e depois algumas manobras de diversão para não adormecer sem jantar).

Nas últimas semanas optei por ir buscá-lo às 15h30. Assim lanchamos juntos, passeamos (se for caso disso), brincamos, trabalhamos (cada um na sua área) e chegamos ambos ao fim de cada dia mais satisfeitos. Claro que eu só posso fazer isto porque tenho tempo e autonomia para geri-lo. Não digo que não me obrigue a alguma ginástica, mas a verdade é que o faço com um imenso prazer e com uma profunda noção de que há que aproveitar, aproveitar ao máximo.

Este novo ritmo também ajudou a equilibrar os ritmos internos do Francisco. Os cocós fazem-se já em casa, depois do lanche, e é muito raro ele adormecer na escolinha.

Há dois dias por semana em que o caso muda de figura: segunda-feira há Música e quinta-feira há Inglês. O garoto adora música e tudo o que tenha a ver com música. Os presentes de Natal que ele pediu, este ano, ao Pai Natal, incluem um violino, um violoncelo, um trombete que toque baixinho, címbalos e um microfone. Mas ultimamente tem dito que não gosta das aulas de Música. Gosta do professor mas não consegue cantar (‘cantam muito depressa’), não gosta de dançar, toca sempre ‘pauzinhos’, etc.

Ao fim de algumas queixas repetidas, pus-me a pensar: porque é que o inscrevemos na Música? Porque ele adora e iria divertir-se imenso. Então mas se ele não adora nem se diverte, what’s the point? E sim, eu sei tudo sobre os benefícios da educação musical. Mas acreditem quando vos digo que ele não tem falta de ‘educação musical’ na vida dele; de outra forma, como iria um garoto de 3 anos querer címbalos e um violino?

Hoje tentei falar com o professor de música sobre o assunto. Pedi-lhe um minuto e disse-lhe que o Francisco andava a dizer-nos que já não gostava das aulas e que preferia não ir. A minha ideia até era dizer-lhe que tinha combinado com o Francisco que eu iria assistir à próxima aula de música para tentar ajudá-lo a descobrir formas de apreciar mais aqueles momentos, que têm vários ingredientes que ele adora. Mas não cheguei lá, porque a reacção do professor foi, embora em tom leve e educado, condescendente. E se há coisa para a qual eu não tenho pachorra é para a condescendência. O que eu retive:

1º) ‘O facto de ele dizer que não gosta não quer dizer que o problema seja do professor ou da Música’

2º) ‘Ele de facto às vezes choraminga, tem sono, ele é muito pequenino’

3º) ‘Eu não valorizo e acho que os pais também não devem valorizar’

4º) ‘Os pais em casa é que têm que lhe transmitir que quando o professor diz que é para trabalhar, é para trabalhar’

Caro professor, cá em casa valorizamos tudo. O tempo que temos e a forma como o passamos, o dinheiro e a forma como o gastamos, o bem-estar da família, dentro e fora de casa. Se o Francisco não consegue acompanhar as aulas porque é pequenino e tem sono (e se aborrece por tocar só pauzinhos), não me parece que esta seja uma forma muito produtiva de empregar o tempo dele e o nosso dinheiro. E não, não lhe vamos transmitir nada disso. Vamos transmitir-lhe que havemos de encontrar uma aula de música que se adapte ao ritmo, aos interesses e às potencialidades dele. Não lhe ocorreu essa possibilidade?

E, entretanto, ganhámos mais uma tarde por semana para passarmos juntos.

Beijinhos a todas!

PS: Pronto, podem começar a opinar, eu prometo que me porto bem…

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I have a date!

por , em 5/11/13

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Queridas Senhoras,

hoje tenho um encontro marcado para as 15h30 e já estou a contar os minutos que faltam. Ser mãe também é um bocadinho isto, não é? Estar apaixonada todos os dias.

Uma das actividades em que inscrevemos o Francisco no início das aulas foi a natação. Passaram-se quatro aulas e decidimos que vamos esperar mais algum tempo até aventurá-lo na piscina do Complexo Olímpico. O miúdo tem frio, não há volta a dar à coisa. Eu fui ‘espiar’ a segunda aula e confirmei as queixas dele: mesmo um andar acima, vê-se perfeitamente que ele está a tremer sempre que está fora de água. Ainda tentámos, por sugestão da técnica que os acompanha de-e-para o Jardim de Infância, o recurso a um fato tipo bodyboard. Fica lindo de morrer mas, na terça-feira passada, mal saiu do autocarro e me viu, proferiu o veredicto final: ‘não correu nada bem!’

Pronto, fica a natação para tempos mais robustos. Restam as tardes de terça-feira, em que grande parte dos coleguinhas sai da escola às 15h30. Solução: mummy time! Não sei se vou conseguir fazê-lo todas as semanas, mas hoje vamos passear, comprar o quadro magnético que ele tanto quer para ‘colar’ as letras que costumava ‘colar’ no frigorífico, ver coisas, descobrir coisas (‘e quero ir comer ao restaurante’) e lanchar, pronto, lanchar fora.

Beijinhos a todas!

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São rosas

por , em 19/5/13

Queridas Senhoras,

hoje publicámos um guest post no SBaby que eu não posso deixar de recomendar-vos. São todos uma delícia (e já lá recebemos a nossa Céu) mas este aplica-se que nem uma luva aos, digamos, interesses actualmente manifestados pelo Francisco.

Ora vão lá ler e depois voltem para aqui para continuarmos a nossa conversa.

Foto: www.raqueldeville.com

 

São uma perdição, estes Doudous, não são?

O Francisco adora desenhar e pintar e recortar e colar e, enfim, manutrabalhar. Eu adoro tudo o que ele faz, claro, os monstros desenhados a giz com braços a sair das orelhas e pernas a sair do queixo (mas também o pai e a mãe são desenhados com essas características), as colagens de bocadinhos coloridos de papel meticulosamente recortados, os desenhos de personagens de desenhos animados impressos e coloridos com cuidado-alternado-com-euforia.

Mas esta última onda, a do finger painting, deixa-me completamente derretida.

São rosas, Senhoras!

Bom domingo a todas. Beijinhos.

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Minhas queridas senhoras,

a Visão da semana passada traz um anúncio que me chamou particularmente a atenção.

Mas por que raio é que as mães, segundo a One, têm direito a usar coroa mas não a largar o avental?

Feliz Dia da Mãe a todas vocês e as todas as mães que nos acompanham. Com ou sem avental, sempre de coroa.

Beijinhos,

Marta

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O Francisco desenhado pela Mariana Rebocho

Queridas Senhoras,

andamos em festa cá em casa. O Francisco fez ontem três anos e amanhã haverá uma festa para os seus amiguinhos preferidos. Ontem cantámos os parabéns de manhã, em casa, à tarde, na creche, à noite, novamente em casa. Na última ronda o piolho já protestava: ‘mas eu já fiz três anos!’

Hoje, quando falávamos sobre a festa de sábado, sobre amiguinhos e balões e pintarolas, ele admitiu que queria fazer três anos outra vez. Ainda bem, porque os convites (manuscritos) já foram enviados…

E eu fiquei a pensar que também gostava de fazer 3 anos outra vez. Não de regressar a essa idade, mas de experimentar novamente o dia 23 de Maio de 1976 (e agora só me apetece citar o Pessoa, Céu, mas vou conter-me), ou, pelo menos, de recuperar as memórias intactas desse dia, de voar nos braços do meu avô Filipe, de ir ao cabeleireiro da Filipa esticar os caracóis (aposto que a minha mãe me levou a esticar os caracóis, sim, com três anos) e aproveitar para cantar algumas canções do cimo de uma cadeira, de estrear um vestido novo, de ser cumprimentada por toda a gente do bairro, de acreditar que fazer anos iria ser sempre assim.

Depois passou-me. O que eu quero é que o Francisco faça três anos outra vez, amanhã, que se divirta e que se sinta acarinhado. Porque nós divertimo-nos muito com ele e sentimo-nos muito acarinhados por ele.

Bom fim-de-semana!

Marta

PS: A Mariana Rebocho, que assina o desenho do Francisco, há-de ser motivo de fututo(s) post(s).

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Questionário ‘Ter 40′