Segunda-feira, 13 Junho 2016

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Queridas Senhoras,

julgo que não há memória deste blogue chamar o sexo para a capa pelo que não podemos ser acusadas de usar truques baixos para vender posts. Além disso, isto é um blogue familiar, lido inclusive por crianças (pelo menos uma, a minha filha!) pelo que também não receiem que este texto vá contra os princípios do decoro ou ultrapasse os limites da decência.

Está em cartaz um filmezinho  descrito como “comédia erótica”, o que à partida não augura nada de bom. A comédia já é um caso sério ainda para mais de contornos erótico-sexuais. O termo remete-me para cenas tão embaraçosas como a série Com jeito vai, no original Carry On (se não se lembram, melhor para vocês), piadas escabrosas de filmes de adolescentes de American Pye para baixo e, de forma vaga, uns filmes hippies dos anos 70 passados em praias e colónias de nudistas (???).

Foi, pois, bastante desconfiada e céptica quanto às potencialidades de uma comédia erótico-sexual que me dirigi à sala de cinema (coisa cada vez mais rara) para assistir a um obscuro filme espanhol intitulado Kiki, El Amor se Hace (em português, Desejos, o Amor Faz-se), de Paco Léon.

Como é quase impossível ver filmes espanhóis sem pensar em Almodôvar, essa é a primeira referência que salta à vista, nesta trama de casais às voltas com as suas dificuldades sexuais num Verão quente e festivo.

Em concreto, o tema do filme são as parafilias sexuais o que acentua o perigo de tudo descambar depressa numa idiotice pegada. A surpresa é que a coisa se aguenta e chega a ter grandes momentos.

O enredo trata desde os casos mais comezinhos aos mais estranhos, isto se aferirmos os comportamentos por uma pretensa normalidade e respectivos desvios à norma.

Temos o clássico casal a braços com a monotonia sexual que consulta um terapeuta para procurar pistas de salvação (ele diz que ela não sabe fazer fellatios, ela diz que ele é uma “máquina com pila” para quem os preliminares são território desconhecido). Uma senhora casada tenta engravidar há dois anos, fazendo sexo em todas as datas certas (e algumas extra) terminando sempre com as pernas para cima. Até que descobre que ter orgasmos ajuda e o que a ajuda a ela é ver o marido chorar. Outro homem casado põe gotas no chá da mulher para ela dormir que nem uma pedra e ele poder desfrutar dela durante a noite (sim, isto está a ficar estranho; aliás, este caso é bastante estúpido porque implica sexo sem consentimento e sem conhecimento, fugindo à regra de um enredo que se mantém num registo são e divertido). Há ainda uma moça solteira, surda, com um fétiche por tecidos bons; uma rapariga que vende cuecas usadas (as suas) para ter dinheiro de bolso; uma moça casadoira com um historial de parafilias na família que sente extremo prazer em situações de perigo e cuja irmã é doida por plantas. Etc. Etc.

O filme cuida bem de toda esta gente, das suas taras e manias, e segura as pontas do bom gosto e do bom senso, nunca resvalando para a idiotice mas naturalmente tocando em assuntos de natureza mais escabrosa ou escatológica que me reprimo de mencionar aqui (em nome do tal decoro e ressalvando a possibilidade de a Alice chegar mesmo a ler isto e de eu ficar com muito para explicar). Sem surpresas, tudo acaba bem até porque esta é uma película estival, alegre e bem-disposta.

Se não chegarem a ver o filme, arranjem maneira de ver o gag mais hilariante: uma chamada erótica intermediada em linguagem gestual.

Beijinhos a todas!

Céu

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