Quarta-feira, 25 Junho 2014

por

Xinha

  • O melhor e o pior

O melhor dos 40 anos é o jogo de ancas, os pés assentes na terra (apesar da terra abanar por todos os lados) e o brilhozinho nos olhos.

O pior é a consciência dos ossos, os limites da carga e ter de anotar tudo senão esqueço-me…

  • As surpresas e as desilusões

As surpresas: bom, a maior de todas talvez seja a capacidade de me reinventar, de recomeçar, de reaprender, dos érres todos que se cravam eu mim com uma naturalidade que me… surpreende. Nada do que sou aos 40 era suposto acontecer, ser ou fazer.

Desilusões – também são surpresas… só aconteceram porque me iludi e se o fiz foi porque acreditei e se acreditei valeu a pena. Vale sempre a pena a intenção da semente. A desilusão é o tal enorme espaço vazio que resta quando já esteve cheio. E eu lá quero viver sem isso?!

  • As conquistas e as perdas

Tens tempo? Tenho pensado muito sobre isso e cá para mim as conquistas estão sempre ligadas as perdas e estas às conquistas. Tanto a nível profissional como pessoal, sempre que perdi conquistei e sempre que conquistei acabei por perder. É assim uma espécie de jogo de forças, uma dicotomia poderosa que aos 40 faz-me rir e perguntar constantemente: o que foi isto agora?! E lá vou eu.

A nível de conquistas tem sido sobretudo a nível pessoal, a vidinha não tem sido fácil mas ainda assim sempre que surgem desafios tenho lá estado para eles. Tenho conseguido superar-me em condições bastante adversas e isso, que não enche a barriga a ninguém, vai enchendo a alma. A questão dos valores também é importante, mantê-los é uma conquista diária. Estou a falar dos morais e éticos, claro está. Aos 40 é bom saber que tenho um farol.

Quanto às perdas, tenho aprendido a lidar com elas. Aceitá-las como sendo um fim de ciclo é um excelente analgésico. Há uma que ainda me está entalada e que acredito poder transformá-la numa nova conquista. Falarei nela adiante.

  • O que mudaria, se pudesse, mas não posso; e o que mudaria, se pudesse, e posso

Arranjaria trabalho perto de casa com um horário normal que me permitisse ter a qualidade de vida que tanto anseio para fazer todas as coisas que ficaram em stand by.
Cantar (esta é a tal que está entalada): teria tempo para ir aos ensaios do Pano Cru e fazer parte de espetáculos que tornam a vida um verdadeiro bálsamo.
Daria uma maior estabilidade à minha mãe para a ver despreocupada, solta e quiçá com o seu sorriso dos 40 anos.
Traria o meu irmão para Portugal, porque a nossa terra é a nossa terra e talvez, somente talvez, a cura dos males estejam na génese.
Agendaria um encontro com duas pessoas no outro lado do oceano, olhos nos olhos, com o simples propósito de perguntar: Porquê?

E o que mudaria se pudesse e posso: Vide acima.

  • O meu grau de satisfação com a minha rotina diária, de 0 a 10

5 – meia escala, pretendo chegar a um 7 ainda nesta década.

  • Recados para mim aos 20

Uma música: “Sonho Impossível” – um recado forte que só me fez bem.

  • Votos para mim aos 50

Cuida de ti, miúda.
Muda as lentes para ver melhor, mais além, mais acima, mais perto.
Trata das tuas costas, são elas que suportam as cargas e tu sabes que tens as costas largas.
Se a memória falha, anota. Anota tudo para mais tarde recordar.
Cuida das pernas, da circulação e das varizes. São elas que te fazem andar para frente. Sempre.
Vitamina-te para que possas fumar cigarros de prazer e o vinho de descontracção. Bem mereces.

Se nada disto resultar, lembra-te: haverá sempre a praia do Guincho.
Para mim e para todas nós.

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Obrigada, Xinha.

Para participar no nosso questionário ‘Ter 40′, basta enviar as respostas por email. Saibam mais aqui. Até já.

Marta

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Questionário ‘Ter 40′