Segunda-feira, 11 Janeiro 2016

por

Nuez6x1

Queridas Senhoras,

que prazer regressar ao universo de Charlie Brown. Nem eu sabia que gostava tanto mas quando soube que tinha saído o filme quis muito ir vê-lo com os miúdos. Não sou especialmente fã mas tinha uma sensação difusa de bem-estar e uma alegria melancólica ao pensar naquele mundo de crianças filosóficas e auto-suficientes onde os adultos são reduzidos a vozes monocórdicas e inexpressivas.

O filme (mesmo a versão portuguesa que ainda tem que ser por causa do João) permite o reencontro com esse universo nada datado pela simples razão de que aquelas situações são intemporais.

E que tem Charlie Brown para dizer aos miúdos de hoje? Que não faz mal ser inseguro, tosco ou desastrado. Que a insegurança é doce e não tem que ser paralisante. Que mais importante do que ter sucesso é ser bom, agir bem. Charlie Brown pode ser trapalhão, tímido, envergonhado. Mas não hesita um segundo quando se trata de fazer o bem (e o bem não se discute, é sempre bom). É corajoso, empenhado, discreto e amigo dos seus amigos. Querem melhor herói para os dias de hoje? Note-se que o rapaz é um empreendedor embora não com vista ao lucro pessoal mas ao enriquecimento espiritual dos que o rodeiam.

Charlie Brown não desiste. Seja a lançar papagaios de papel, a aprender a dançar, a ler o Guerra e Paz durante um fim-de-semana para escrever uma composição sobre “o melhor romance de sempre”. Charlie Brown atrapalha-se mas nunca duvida do que está certo: dizer a verdade, fazer o bem. Mesmo que isso implique abdicar dos holofotes, ceder o palco à irmã mais nova, à colega mais inteligente.

O mundo seria extremamente aborrecido e ruidoso se estivéssemos rodeados de fanfarrões e fala-barato. A delicadeza insegura de Charlie Brown é um bálsamo.

Beijinhos a todas,

Céu

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