Lady sings the blues

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Queridas Senhoras,

passaram hoje 56 anos sobre a morte de Billie Holiday, e este ano, a 7 de Abril, assinalou-se o centenário do seu nascimento. Todos nós temos pessoas destas nas nossas vidas, gente que nunca conhecemos mas cuja passagem pelo mundo, de uma maneira ou de noutra, nos salva. Billie Holiday é uma dessas pessoas para mim.

Já tenho a casa nova toda composta e a maior parte dos quadros pendurados, mas houve dois que se partiram no transporte e que ainda aguardam reparação: imaginem, uma reprodução do Nighthawks, de Hopper, e outra da imagem acima, que imortaliza uma jam session no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em 1944, com Lady Day ao centro. E esta faz-me muita falta, substituir aquele vidro está no topo das minha lista de prioridades, agora que já temos onde dormir e como cozinhar. É um quadro grande, 60 por 90 cm, enche-me a vista e a imaginação e, em certos dias, com a disposição certa e a música certa a tocar, sinto-me lá. Uma ilusão impagável.

Tenho outra reprodução que evoca esta minha heroína.

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Trata-se de uma ilustração de Paul Rogers, o artista que decidiu escolher de cada página do livro On the Road, de Jack Kerouac, uma inspiração para desenhar. A frase é retirada do livro e ocorreu-me de imediato hoje, quando encontrei este poema de Frank O’Hara, The Lady Day Died:

It is 12:20 in New York a Friday
three days after Bastille day, yes
it is 1959 and I go get a shoeshine
because I will get off the 4:19 in Easthampton
at 7:15 and then go straight to dinner
and I don’t know the people who will feed me

I walk up the muggy street beginning to sun
and have a hamburger and a malted and buy
an ugly NEW WORLD WRITING to see what the poets
in Ghana are doing these days
I go on to the bank
and Miss Stillwagon (first name Linda I once heard)
doesn’t even look up my balance for once in her life
and in the GOLDEN GRIFFIN I get a little Verlaine
for Patsy with drawings by Bonnard although I do
think of Hesiod, trans. Richmond Lattimore or
Brendan Behan’s new play or Le Balcon or Les Nègres
of Genet, but I don’t, I stick with Verlaine
after practically going to sleep with quandariness

and for Mike I just stroll into the PARK LANE
Liquor Store and ask for a bottle of Strega and
then I go back where I came from to 6th Avenue
and the tobacconist in the Ziegfeld Theatre and
casually ask for a carton of Gauloises and a carton
of Picayunes, and a NEW YORK POST with her face on it

and I am sweating a lot by now and thinking of
leaning on the john door in the 5 SPOT
while she whispered a song along the keyboard
to Mal Waldron and everyone and I stopped breathing

Talvez um dia eu consiga, como Jack Kerouac e Frank O’Hara conseguiram, encontrar as palavras que traduzam a emoção que sinto quando Biilie Holiday, nalgumas versões de My Man, sobe aquilo que me parece ser uma oitava para cantar I’ll go away, e não é uma exclamação, é um lamento.

Ora bem, e para terminar comme il faut, vamos lá a um pezinho de dança:

Até porque hoje é sexta-feira!
Bom fim-de-semana a todas,

Marta

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