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Queridas Senhoras,

hoje Mário de Sá-Carneiro atravessou-se no meu conta vip iq option caminho várias vezes e eu não podia ignorar os sinais. Vocês sabem, as ligações.

Há praticamente um ano, a Tinta da China publicou o livro Em Ouro e Alma: Correspondência com Fernando Pessoa, uma edição-crítica organizada por Ricardo Vasconcelos e Jerónimo Pizarro. Agora, a editora anuncia o lançamento de um site dedicado a Mário de Sá-Carneiro, cuja génese esteve em todo o material que passou pelas mãos dos organizadores do livro mas que acabou por ficar de fora das suas páginas.

Este site incide sobretudo na correspondência do escritor e tem a particularidade de ser bilingue (português e inglês), para chegar a mais públicos. Eu perco-me com correspondência entre escritores, é o meu pecado.

No entanto, há já um ano que está online outro recurso muito rico para aprofundarmos o nosso conhecimento sobre a obra (vasta, para quem viveu apenas 26 anos) deste atormentado e doce homem a quem faltou sempre um pouco mais. A Biblioteca Nacional faculta-nos a consulta do espólio do escritor, numa colecção de obras digitalizadas que já incluía Eça, Sophia, Pessoa e Saramago, entre outros. Convido-vos a mergulhar naquele paraíso de manuscritos.

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

Estas palavras, que me perseguiram em determinadas fases da minha vida, foram cantadas por Adriana Calcanhoto no ábum Público, de 2000, e assim dadas a conhecer aos muitos milhares de brasileiros que compraram o disco e, também, a muitos portugueses. Hoje a Univerdade de Coimbra noticia que receberá a cantautora entre fevereiro e julho de 2017 numa residência artística que prevê aulas abertas, ateliers, conferências e exposições.

Por altura do álbum Público, li uma entrevista de Adriana Calcanhoto em que esta descrevia o seu processo criativo. Aprendi muito naquelas linhas sobre a arte da depuração. Por causa disso, comprei o cd. E desde então que tenho um fraquinho por ela (como se diz nos EUA, uma girl crush).

Será que consigo infiltrar-me na UC? Fiquem atentas aos próximos episódios!

Beijinhos,

Marta

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Queridas Senhoras,

bem sei que está um perfeito dia de Verão. Mas hoje mudou a hora e vêm aí novas rotinas. Eis o que me agrada especialmente nos meses que agora começam:

- Às sete da manhã é dia claro. É mais fácil acordar e não parecemos (tão) malucos por andar a correr a essa hora quem é o dono da iq option?.

- Não é preciso ter sempre a depilação em dia. A roupa de Inverno é amiga dos pelos grandes.

- Às sete da tarde é de noite. Acaba-se a febre dos sunset. Ala para casa que é bem bom.

- Os dias são mais curtos. Ao fim-de-semana não é preciso inventar mil coisas para fazer.

- Por outro lado, não esbanjamos as horas de sol e calor. São para aproveitar ao máximo.

- Podemos ir passear até à praia de forma civilizada e sem filas de trânsito.

- Regressamos com prazer aos pratos fortes e quentes: cozido à portuguesa, feijoada, salsichas frescas com couve lombarda (o meu preferido).

- Há mais tempo para estar em casa, cuidar da casa, viver a casa.

- Regressa a vontade de fazer programas dentro de portas, em salas bonitas e confortáveis. Cinemas, teatros, museus, bibliotecas, livrarias.

- Castanhas assadas. Cheirá-las na rua, assá-las em casa, comê-las de todas as maneiras e feitios.

E que mais? Quais são as vossas rotinas de Inverno favoritas?

Beijinhos a todas!

 

Céu

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Para onde foi a magia?

por , em 23/10/16

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Queridas Senhoras,

há aquela altura na vida em que percebemos que como virar vip na iq option o Natal não é assim tão mágico, fazer anos não é assim tão divertido e as férias afinal não são um sonho. Talvez tenha então chegado o momento de reconhecer que os filmes de Woody Allen já não são arrebatadoramente amargos e encantadores.

Sim, é tão cruel como descobrir que os filmes de Hitchcock não têm o melhor suspense do mundo (felizmente, há coisas em que poderemos confiar para todo o sempre) mas alguma vez temos que crescer. (E uma boa altura talvez seja quando temos idade para ser pais dos protagonistas).

Café Society é amoroso, claro. Mantive durante todo o filme aquele sorriso beatífico, aquela esperança young and fool de ser tocada pela magia, pelo arrebatamento, pela doce amargura. Mas já não é a mesma coisa.

A música está lá, a luz está lá, os diálogos rápidos e certeiros um pouco menos, as piadas inesquecíveis menos ainda.

O que resta então? Nostalgia do tempo em que o Natal era sempre excitação e alegria e um filme de Woody Allen nos dava alento para uma temporada inteira.

Ninguém lamenta mais do que eu mas é assim.

Beijinhos a todas,

Céu

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Histórias de apartamento

por , em 23/10/16

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Queridas Senhoras,

um dos livros em destaque na exposição central no Amadora BD, dedicado este ano ao tema Espaço e Tempo,  é Building Stories de Chris Ware, um projecto narrativo que vem numa caixa de cartão e acompanha as vidas dos habitantes de um prédio.  Li esta pequena história na exposição que me sensibilizou de imediato.

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Não acompanho minimamente a banda-desenhada mas gosto de ser surpreendida por algumas descobertas como esta. Histórias do quotidiano, gente comum, a vida familiar, o desespero, a solidão, a esperança. Sim, o costume. Não há nada melhor.

O Amadora BD decorre até 6 de Novembro no Forum Luís de Camões, na Brandoa, para além de incluir também exposições paralelas noutros locais. Programação completa no site e novidades permanentes na página de facebook

Beijinhos a todas,

Céu

 

 

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Queridas Senhoras,

Ursula Todd nasce a 11 de Fevereiro de 1910 e morre no mesmo dia, com o cordão umbilical enrolado à volta do pescoço. Ou não. Ursula vive e morrerá mais tarde de muitas mortes. Afogada, violada, levada pela gripe espanhola, espancada pelo marido, abatida a tiro em Munique, bombardeada na guerra numa cave em Londres.

Viverá também muitas vidas. Terá vários irmãos. Dará longos passeios nos bosques de Fox Corner, a casa que a mãe, Sylvie, baptizou em honra da raposa que ronda por lá. Fará o seu grand tour com Hugh, o pai carinhoso e atento, que falhou por pouco o seu nascimento por causa de um nevão. Ou não.

Vida após Vida é um romance fascinante que brinca com o tempo e as possibilidades. Há uma técnica ou efeito narrativo, muito em voga em séries de TV, que consiste em contar o mesmo acontecimento visto por diferentes pessoas, diferentes perspectivas. Aqui há um pouco disso mas mais ainda.

Trata-se de traçar e narrar vários caminhos possíveis na vida da mesma pessoa e dos que com ela se relacionam. Pequenos incidentes, atitudes aparentemente inócuas podem alterar o curso dos acontecimentos para sempre. Ursula é perseguida pelo futuro, é atacada por terrores súbitos, visões incertas de desgraças iminentes. O passado também não a larga e, para onde quer que vá, recordará sempre os bosques de Fox Corner da sua infância e até a pequena lebre prateada que brilha e se agita no berço dos bebés Todd.

O destino está traçado. Ou não. Ursula pode, afinal, decidir. Pode submeter-se a uma investida súbita de um latagão americano, amigo do irmão, ou espetar-lhe um estalo bem assente nas trombas e assim evitar uma gravidez precoce, um aborto mal feito e a morte. Pode escolher viajar e alargar o seu mundo. Pode casar com um marido violento que a irá matar ou entregar-se a amantes generosos. Pode ficar em Inglaterra ou viajar para a Alemanha e conhecer uma tal de Eva Braun…

 
Beijinhos a todas,

Céu

 

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Elena

por , em 9/10/16

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Queridas Senhoras,

este foi o ano de Elena Ferrante. Depois de dezenas (centenas?) de artigos sobre a misteriosa escritora e os seus livros, sobretudo a tetralogia A Amiga Genial, a novela culmina agora na suposta descoberta da identidade da autora.

Mas, a sério, isso tem algum interesse? Teremos nós a pretensão de conhecer um escritor? Todos os autores projectam uma imagem, uma construção, seja pela sua presença ou pela sua ausência no espaço público. Se comparecem ou não em festivais literários, sessões de autógrafos, lançamentos, se adoptam uma pose amistosa ou distante, se dizem muito, pouco ou nada, de que vale tudo isso? É uma mera construção guiada certamente por razões pessoais, imposições da editora, regras de marketing, etc. etc.. Supomos nós que podemos saber quem é um escritor por lhe conhecermos a biografia? Se nem as pessoas com quem vivemos podemos assegurar que conhecemos!

São os livros que importam e nada mais.

Este foi também o ano de Lucia Berlin. Ao contrário de Elena Ferrante, a biografia de Lucia foi extensamente exposta como que para validar e legitimar a sua obra Manual para mulheres de limpeza. Por intervenção de um amigo, agente ou editor, que quis dar a conhecer Lucia ao mundo, a sua vida foi detalhada nas páginas de jornais e revistas.

Mais uma vez, quero lá saber. O que importa são os livros. Elena e Lucia entraram na minha vida e enriqueceram-na, sejam lá elas quem forem ou tiverem sido. Todo o protagonismo que assumem para mim está no que escreveram, nos livros que quero guardar para os meus filhos lerem mais tarde. Se este não é o protagonismo que importa, não sei o que seja.

Volto à primeira história que li de Elena Ferrante, Os Dias do Abandono, e encontro aquilo que Francisco José Viegas referiu desdenhosa e misoginamente numa entrevista recente como “uma obra muito cumpridora das exigências das leitoras”. A escrita de Elena Ferrante é marcadamente feminista, sim. Há aqueles livros que abordam os problemas da próstata. Literatura falocêntrica, vocês sabem. Os alter-egos de Philip Roth e outros, aqueles homens de idade avançada mas charme intocável com apetite insaciável por mulheres mais novas que começam a ter questões com a sua próstata. Em Elena Ferrante os temas são mais virados para o útero, a vagina, as  hormonas femininas. Daí talvez o desdém de FJV.

“O nojo da amamentação, essa função animal. E, mais tarde, os vapores mornos e adocicados das papas. Por mais que me lavasse, aquele mau cheiro a mãe não me saía do corpo. Mário às vezes colava-se a mim, abraçava-me e possuía-me ensonada, também ele cansado do trabalho, sem emoção. Fazia-o, atirando-se à minha carne quase ausente, que sabia a leite, a bolachas, a farinhas, cheio de um desespero pessoal que aflorava o meu sem o reconhecer. Eu era o corpo de um incesto, pensava atordoada pelo cheiro do vomitado de Gianni, era a violação da mãe e não a posse de uma amante.”

pp. 205, Os Dias do Abandono in Crónicas do Mal de Amor (Relógio de Água, 2014)

Importa realmente saber se foi a Elena, a Anita ou a Isabel que escreveu isto?

Beijinhos a todas,

Céu

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Questionário ‘Ter 40′