Segunda-feira, 14 Dezembro 2015

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Alegrete, Portalegre

 

Queridas Senhoras,

Para os miúdos, “aldeia” é sobretudo a da Beira Alta, concelho da Guarda, a aldeia das casas de granito e do rio Mondego. Mas este fim-de-semana fomos conhecer a outra aldeia, a do Alto Alentejo, concelho de Portalegre, a tal cidade “cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros”. Fomos conhecer a origem das “antigas gentes” deste lado da família.

Há 80, 90 ou mais anos, na Beira Alta e no Alto Alentejo, nasciam aqueles de quem todos viríamos a nascer. Houve encontros e amor, o amor deu frutos, os frutos foram cuidados e é assim que tudo acontece. É um milagre e é bom saber como e onde tudo começou. É um milagre que haja encontros e amor e que o amor dê frutos e que os frutos sejam cuidados. Muito anos depois volta-se aos sítios e não se acredita no milagre. Parece que tudo foi feito para nós, para podermos mostrar aos filhos, olha o castelo, olha a igreja, olha a rua, olha a casa onde a avó morava. Eles vão leves e despreocupados mas nós sentimos um aperto, uma responsabilidade: seremos nós capazes de conservar, transmitir, fazer durar este património, acrescentando-lhe aquele que nos cabe construir? Andarão eles daqui a outra leva de anos com os filhos e os netos pela mão a mostrar-lhes os lugares dos encontros, do amor, dos frutos?

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Na Beira Alta as casas são escuras do granito. No Alto Alentejo, o da serra de São Mamede, do vento suão, do sol que abrasa, do frio que tolhe e gela, as casas são brancas e caiadas. Todas têm história, bons e maus cheiros, silêncios e espantos. Ao percorrê-las enche-se-nos a alma de coisas inexplicáveis. Coisas que temos pudor de contar seja a quem for.

Beijinhos a todas,

Céu

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