Domingo, 20 Março 2016

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Foto retirada daqui

Queridas Senhoras,

de certeza que não é a primeira vez que falo da Brandoa aqui no blogue. Pelo menos em Outubro, na altura do Amadora BD, é visita recomendada. Mas julgo que nunca vos disse que costuma haver um rebanho a pastar perto da Feira da Brandoa, que se realiza todos os domingos de manhã.

Aos domingos gosto de correr pela Estrada dos Salgados. Às dez da manhã já lá anda um corrupio de gente a caminho ou de volta da feira, com os sacos a abarrotar de verduras frescas.

Hoje é Domingo de Ramos (não sei se deram conta mas aqui na Amadora, para os lados da igreja, havia vários cestos ajoujados de ramos de oliveira e um ambiente de aldeia assim pela fresca), a Primavera começou, o ar está lavado com a chuva que caiu ontem e o sol da manhã convida a um passeio até à feira.

Em passo de corrida vou absorvendo os cheiros e o colorido dos campos que ladeiam a estrada (há papoilas na Brandoa), só me apetece inspirar, inspirar em vez de soltar o ar.

Faço a curva da estrada e corro com cautela entre os fregueses e azáfama dos carros à procura de lugar para estacionar. Subo a encosta até à igreja da Brandoa e deparo-me com mais cestos cheios de ramos de oliveira e muitas pessoas com ramos nas mãos, suponho que a caminho ou à saída da missa.

Dou a volta, empreendo a descida e depois resolvo entrar pela feira e abrandar o passo para conhecer de perto o bulício que só costumo pressentir. Há de tudo, como em qualquer feira que se preze. As bancas estão bem organizadas, o ambiente é ordeiro, os fregueses compram daqui e dali, algomeram-se à volta dos caixotes de fruta e legumes que brilham ao sol. Cheira a morangos.

Há galinhas e pintos, sementes para deitar à terra, parece que estamos na aldeia. Na Sopa da Feira fritam-se couratos e ainda não são onze da manhã.

Deixo o recinto e estugo o passo para apanhar de novo o ritmo para os quilómetros que faltam. Volto a inspirar e cheira a terra limpa. Cruza-me o pensamento a imagem de uma Páscoa na aldeia, toalha branca de linho bem engomada e esticada sobre a mesa de madeira escura, uma terrina antiga cheia de laranjas grandes. Um sino toca ao longe (ou parece tocar).

Gosto de procissões, não me perguntem porquê.

Beijinhos a todas,

Céu

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