Domingo, 3 Julho 2016

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Queridas Senhoras,

esta manhã fui correr para a mata e cheirava intensamente a Julho. A manha já ia bem alta, o calor estalava, cheirava a erva seca e a figos.

Julho é a essência do Verão, das férias grandes e ainda hoje me parece estranho trabalhar em Julho. É também o mês em que faço anos e talvez por isso os cheiros de Julho tenham ficado tão entranhados. Em Julho só existe a praia, o rio e a mata. O ruído é o zumbido contínuo das cigarras (são cigarras?) e à noite o dos grilos.

Lia ontem na autobiografia do John Cleese (Ora, como eu dizia…) que quanto mais uma criança muda de casa e de ambientes durante a infância, quanto mais instabilidade conhecer, mais criativa se torna (ele próprio mudou de casa onze vezes até aos onze anos). Porque tem permanentemente que reconfigurar as relações entre as pessoas e os lugares, estabelecer diferenças entre o antes e o depois, adaptar-se às novas situações, e tudo isso faz aumentar a criatividade.

Deve ser por isso que sou incapaz de inventar uma história. Os ambientes da minha infância são tão imutáveis que ainda aqui estão. Nem preciso de fechar os olhos. Os cheiros são os mesmos. E se falo tanto dos cheiros, é porque esse elemento me ataca sempre com uma força surpreendente. O aroma do pinhal, da erva seca, transporta-me de imediato para um piquenique que não tenho a certeza se existiu ou talvez seja a recriação perfeita, a soma de todos os piqueniques que todas as famílias deviam fazer em Julho.

O ar está parado, as moscas preguiçam em volta dos restos de comida, o zumbido embala a sesta, alguém descansa numa cama de rede, um grupo joga à sueca numa manta estendida, ouvem-se vozes de crianças a brincar e adultos a conversar.

A tarde é enorme. Estamos Julho, o tempo está suspenso.

Beijinhos a todas,

Céu

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