Detectives

por , em 18/4/16

vera-large_trans++qVzuuqpFlyLIwiB6NTmJwfSVWeZ_vEN7c6bHu2jJnT8

 

Queridas Senhoras,

leio livros e vejo séries de detectives desde sempre. Tenho na cabeça calhamaços inteiros e horas de TV passadas na companhia baixar iq option para pc dos mais diversos tipos de investigadores. (Gosto tanto do género que fico derretida quando os meus filhos se mascaram de detectives com as golas levantadas, chapéus e bloco de notas. Aliás, sempre que desaparece alguma coisa lá em casa, peço-lhes que assumam esse papel: “Muito bem, onde viu a sua pantufa pela última vez?”).

Se contarmos com Os Cinco, terei começado por aí. Ou então um pouco mais tarde com as histórias de Nancy Drew e Patrícia. A partir da adolescência passei a consumir doses industriais de Arthur Conan Doyle e, sobretudo, Agatha Christie. Sherlock Holmes, Hercule Poirot e Miss Marple são as minhas referências fundamentais, ingeridas em dezenas de livros, séries e filmes. Conheço todas as suas características, manias e fraquezas, onde vivem, que relação têm com os seus companheiros quase tão famosos quanto eles (válido sobretudo para o Dr. Watson e para o capitão Hastings). Com outras personagens clássicas, como o Marlowe de Raymond Chandler e o Inspector Maigret de Georges Simenon, tive muito menos contacto mas ainda baixar iq option no pc assim fazem parte do meu imaginário. Estes e outros profissionais do enigma foram transpostos para o ecrã e interpretados por actores e actrizes que se tornaram indissociáveis das personagens, uns e outros imortalizados para sempre.

O gosto por histórias de detectives não se prende com um jeito especial para descobrir o culpado ou identificar as maroscas do enredo. Não faço nenhum esforço mental para detectar pistas, armadilhas, incongruências e nunca adivinho o fim. Se calhar, o gozo reside aí. Para as modernas séries de polícia científica, desaparecidos, investigações daqui e dali, tenho pouca paciência, não é esse o espírito (mas gosto das séries e dos episódios género cold case, sobre casos antigos, arquivados, esquecidos). Porém,  de vez em quando, surge uma boa surpresa.

É o caso da série Vera sobre a mais improvável das detectives: a inspectora Vera Stanhope, uma mulher de meia-idade com excesso de peso e angina de peito. A soberba Brenda Blethyn empresta todo o seu talento a esta solitária responsável da polícia de uma pequena comunidade na costa rural de Inglaterra, secundada por um jovem parceiro com pinta de modelo (David Leon), casado e pai de três filhos.

Outra boa surpresa http://iq-trading.com.br/iq-option-para-pc-windows parece ser Endeavour (avalio com base em apenas um episódio mas em geral é quanto basta), que estreou a semana passada também na Fox Crime. O inspector Morse enquanto jovem detective é o objecto desta série passada na tranquilidade da cidade universitária de Oxford.

Beijinhos a todas,

 

Céu

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

when-marnie-was-there-oscar-3

Queridas Senhoras,

Anna, a protagonista de Memórias de Marnie, sente que vida é um círculo com interior e exterior e ela está do lado de fora. Nada a fazer. A mãe adoptiva queixa-se de que ela tem sempre “um rosto normal”, ou seja, nunca deixa que as emoções se manifestem. Aos 12 anos, Anna é uma criança solitária, que adora desenhar e sofre de asma. É então que o médico recomenda uma mudança de ares durante o Verão, para ver se a moça ganha outras cores. Anna parte de comboio para casa de uns familiares que vivem na costa, numa idílica localidade à beira-mar.

Memórias de Marnie, filme de animação japonês do Studio Ghibli, é uma pequena maravilha, uma película encantatória, que venceu o Grande Prémio da Monstra 2016. (Está agora nos cinemas, em Lisboa apenas nos Cinemas UCI do Corte Inglés).

Uma misteriosa mansão à beira da água é o ponto de partida para uma viagem de descoberta, entre o sonho e a realidade, que irá transformar o interior de Anna, ajudá-la a perceber quem é, de onde vem e que a amizade é possível.

O filme está classificado para maiores de 12 mas é perfeitamente indicado para crianças um pouco mais novas, desde que consigam acompanhar as legendas. Os desenhos são belíssimos, a música envolvente, a narrativa desenrola-se suavemente mas com ritmo e mistério. Ficamos suspensos daquele universo, acompanhando as subidas e descidas da maré, os encontros entre Anna e Marnie, a criança imaginária ou imaginada da enigmática mansão que em tempos recebia festas magníficas com convidados elegantes. Até que uma nova família vem habitar a casa e a filha descobre um antigo diário escondido no quarto… Sim, é tão bom quanto isso. Um regalo.

Beijinhos a todas,

Céu

Tags:

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Ironia de género

por , em 10/4/16

1507-1

Queridas Senhoras,

gostava de recomendar a leitura de A Mulher (The Wife, no original) de Meg Wolitzer. Não é uma novidade mas a primeira edição terá passado despercebida e o recente sucesso do livro Os Interessantes motivou a reedição.

Mal peguei neste livro fiquei deliciada com o estilo, de uma ironia que dá vontade de trincar. A sinopse é muito breve: Joan decide deixar o marido, um escritor de sucesso, após mais de quatro décadas de casamento. Toma a decisão enquanto estão a caminho da Finlândia onde Joe Castleman irá receber o prémio de consagração literária, o maior que pode almejar (é o o Prémio de Helsínquia, uma espécie de Nobel mais fraquinho).

Joan decide deixar Joe porque basicamente está farta de cuidar dele. Joe é um daqueles homens:
“Sabem a que tipo me refiro: aqueles que se anunciam a si mesmos, aqueles gigantes sonâmbulos que vagueiam pela Terra e derrubam outros homens, mulheres, móveis, aldeias”.

Ela está com 64 anos (aquela idade em que é “basicamente tão invisível para os homens como um remoinho de poeira”) mas acha que ainda pode, e quer, ter uma vida própria.

Joan voltará muitas vezes ao tipo de homem que Joe é, um bebé grande, alguém que está simplesmente habituado a que lhe dêem tudo, sobretudo as mulheres. Com a morte precoce do pai, Joe cresceu num mundo feminino, cercado pelos cuidados da mãe e das tias. Cedo aprendeu a perceber como funcionam as mulheres, as transformações que nelas se operam, desde que são uma figura desejável até não passarem de alguém que lhe traz carne assada.

Joan é inteligente, tem talento e sabe-o desde cedo. Por que ficou 40 anos a tomar conta de Joe Castleman? (Como andei meses a ler a Elena Ferrante, é impossível não comparar Joe com Nino Sarratore, o grande amor de Elena, o mulherengo incorrigível, o sedutor compulsivo, menos talentoso que Elena, a narradora da saga A Amiga Genial, que devorei do primeiro ao quarto volumes. Mas isto é só um à-parte porque Joes e Ninos há de facto aos pontapés, na literatura e na vida).

Joan e Joe conheceram-se na universidade, ela aluna, ele jovem professor. Ele andava encantado da vida, a descobrir o seu poder. Ela andava com medo de nunca ser coisa nenhuma.
“(…) iria tornar-me cada vez mais pequena e menos substancial, deixaria de ter o menor interesse para quem quer que fosse, masculino ou feminino e, quando finalmente ganhasse acesso ao mundo, este já não me quereria.”

Estava-se então nos anos 50. Joe andava a treinar com sucesso para dono do mundo, Joan com medo de se tornar insignificante.
“Joe ficou encantado. Que achado! Ao que parecia, o mundo estava cheio de jovens assim, cada uma delas a apurar no seu próprio guisado, todas à espera de serem saboreadas pelos homens que passassem, lhes levantassem a tampa e as cheirassem.”

Joe tem um primeiro casamento falhado com uma rapariga que conhece num café a meio da noite (“homens como Joe iam a cafés vazios a meio da noite simplesmente porque podiam fazê-lo”) e mais tarde dirá que a sua primeira mulher era louca. (“Pode dizer-se isto acerca da primeira mulher de qualquer homem e os outros presentes acenarão vigorosamente com a a cabeça.”)

Alguma coisa ele deve saber porque afinal irá tornar-se um escritor aclamado pela sua visão sobre o “casamento norte-americano contemporâneo”:
“Os homens eram sérios mas amargurados, as mulheres tristes e encantadoras, as crianças alheadas.”

Um escritor seu amigo (um poeta invejoso) garante que é desta que lhe vão dar o prémio. “Tens esse gene extra, essa sensibilidade para as mulheres. Essa recusa em objectificar o sexo oposto, não é o que dizem de ti?”. “Misturas todo esse feminismo”, aponta-lhe com desdém.

No período que dura a viagem e a estadia em Helsínquia, Joan revive 40 anos de casamento. A descoberta da paixão, o início tumultuoso da vida em comum, o primeiro sucesso literário de Joe, os filhos, os amigos, as viagens, o mundos dos escritores (e das mulheres dos escritores), as invejas, as amarguras, a insaciabilidade de Joe. Por reconhecimento, atenção, sucesso, prémios e mulheres, muitas mulheres. Enquanto isto Joan está lá para cuidar e assegurar que nada se desmorona. E, claro, para servir carne assada, sexo semanal ou segredar-lhe ao ouvido:

“És genial!”

Beijinhos a todas,

Céu

Tags:

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

12716137_1322336364459042_6363350101190866603_o

Queridas Senhoras,

Variações à beira de um Lago, a partir do original Duck Variations de David Mamet (em cena nos Recreios da Amadora até 10 de Abril, pelo Teatro dos Aloés) coloca dois homens de certa idade, dois reformados (presume-se), sentados num banco de jardim a trocar impressões sobre isto e aquilo, matando (ou vivendo) o tempo que resta.

Falam para não estar calados que é quem como quem diz, fazem conversa porque para estar silêncio já chega a eternidade. Falam porque é preciso ter um amigo (“todos precisamos de um amigo, todos precisamos de um amigo”, repete às tantas um dos homens incessantemente).

Ora eles falam do que está à vista, do lago, dos barcos e, sobretudo, dos patos. Há um bando de patos selvagens que sobrevoa o lago em direcção a melhores paragens e isso dá pano para mangas. A peça pode ter várias leituras, os patos são uma metáfora, claro, uma ponte na incomunicabilidade, etc. etc., mas para mim teve uma leitura extra, um prazer suplementar.

É o que eu ando a ler um livro sobre patos.

Desde o início do ano que todas as noites leio aos miúdos um capítulo do livro A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia de Selma Lagerlöf (1858-1940). Temos aprendido imenso sobre patos através da aventura de Nils, um menino transformado em gnomo que viaja nas costas de um ganso na companhia do bando de Akka de Kebnekaise, a pata-chefe. E temos aprendido imenso sobre a geografia e a cultura da Suécia, claro, e estamos a planear uma viagem a Estocolmo. De tudo isto ia falar-vos quando chegássemos ao fim do livro que é de facto uma grande empreitada que nos deve levar quatros meses ao todo. Mas não podia estar mais tempo calada.

Ontem, ao assistir à conversa sobre patos entre aquelas duas personagens cheias de ternura e esperança, só me apetecia intervir: “Sabem que os patos dormem com 50% do cérebro acordado?”. Aprendemos isto na quinta pedagógica, no nosso último passeio, e percebemos finalmente porque é que a Akka e o seu bando adormecem de imediato mas acordam ao mínimo ruído.

Enquanto houver livros e histórias e teatro não há incomunicabilidade que resista.

Beijinhos a todas,

Céu

Tags: , ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

 

Cm6UqQ0

Foto retirada daqui

Queridas Senhoras,

de certeza que não é a primeira vez que falo da Brandoa aqui no blogue. Pelo menos em Outubro, na altura do Amadora BD, é visita recomendada. Mas julgo que nunca vos disse que costuma haver um rebanho a pastar perto da Feira da Brandoa, que se realiza todos os domingos de manhã.

Aos domingos gosto de correr pela Estrada dos Salgados. Às dez da manhã já lá anda um corrupio de gente a caminho ou de volta da feira, com os sacos a abarrotar de verduras frescas.

Hoje é Domingo de Ramos (não sei se deram conta mas aqui na Amadora, para os lados da igreja, havia vários cestos ajoujados de ramos de oliveira e um ambiente de aldeia assim pela fresca), a Primavera começou, o ar está lavado com a chuva que caiu ontem e o sol da manhã convida a um passeio até à feira.

Em passo de corrida vou absorvendo os cheiros e o colorido dos campos que ladeiam a estrada (há papoilas na Brandoa), só me apetece inspirar, inspirar em vez de soltar o ar.

Faço a curva da estrada e corro com cautela entre os fregueses e azáfama dos carros à procura de lugar para estacionar. Subo a encosta até à igreja da Brandoa e deparo-me com mais cestos cheios de ramos de oliveira e muitas pessoas com ramos nas mãos, suponho que a caminho ou à saída da missa.

Dou a volta, empreendo a descida e depois resolvo entrar pela feira e abrandar o passo para conhecer de perto o bulício que só costumo pressentir. Há de tudo, como em qualquer feira que se preze. As bancas estão bem organizadas, o ambiente é ordeiro, os fregueses compram daqui e dali, algomeram-se à volta dos caixotes de fruta e legumes que brilham ao sol. Cheira a morangos.

Há galinhas e pintos, sementes para deitar à terra, parece que estamos na aldeia. Na Sopa da Feira fritam-se couratos e ainda não são onze da manhã.

Deixo o recinto e estugo o passo para apanhar de novo o ritmo para os quilómetros que faltam. Volto a inspirar e cheira a terra limpa. Cruza-me o pensamento a imagem de uma Páscoa na aldeia, toalha branca de linho bem engomada e esticada sobre a mesa de madeira escura, uma terrina antiga cheia de laranjas grandes. Um sino toca ao longe (ou parece tocar).

Gosto de procissões, não me perguntem porquê.

Beijinhos a todas,

Céu

Tags:

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Primavera alentejana

por , em 13/3/16

IMG_1322

Queridas Senhoras,

muito se tem escrito estes dias sobre o Alentejo. À conta do livro do Henrique Raposo, têm saído crónicas e artigos de todo o género, incluindo turísticos. Não sei se tudo isto foi uma bem orquestrada acção dirigida pelo Turismo do Alentejo que também acaba de lançar uma nova campanha. O resultado foi que me deu uma tremenda vontade de um fim-de-semana alentejano, com os clichés todos dos folhetos. O silêncio, a calma, os horizontes infinitos e quietos, a gastronomia, os vinhos e, sobretudo, não sei já disse, o silêncio, a calma.

(A última incursão à região tinha sido em Dezembro, quando andámos pelo Alto Alentejo à procura das raízes. E antes disso houve um passeio pela fronteira entre o Ribatejo e o Alentejo).

Por causa de um artigo da Evasões, tive o impulso de marcar mesa na Taberna do Arrufa em Cuba. E tudo por causa de um quintal. Uma antiga taberna esquecida foi recuperada, blá, blá, blá, o costume, mas havia um quintal. Tive a visão de um almoço num quintal rústico inundado de sol. Desejei o entorpecimento do calor, da comida, do vinho, da terra e dos campos. E assim foi.

10492032_1226136640747399_5344342907179651211_n

Para condizer com o quintal descobri um hotel com quinta pedagógica (Hotel O Gato, em Odivelas, Ferreira do Alentejo). A Paula, quando ler isto, vai rir-se de mim. Ela iria achar o hotel um pouco rústico e antiquado mas quem precisa de spa, jacuzzi e outras mordomias quando há um bode por perto? Sim, Paula, encontrei um hotel com ovelhas, patos, galinhas, cabras e um bode. Penso que esta originalidade será difícil de bater.

IMG_1278

De manhãzinha, como é habitual esteja eu onde estiver, fiz a minha corrida. Oito quilómetros, ida e volta, até à barragem de Odivelas na tranquilidade absoluta dos campos às oito da manhã. Julgo que o bode ainda estava a dormir.

Depois do pequeno-almoço regressamos todos para usufruir da zona de lazer da barragem onde somos os únicos veraneantes. Silêncio, calma, horizontes a perder de vista.

IMG_1321

De Odivelas para o Torrão, serpenteamos pela Nacional 2 sem nos cruzarmos praticamente com  nenhum veículo. Silêncio, tranquilidade, campos floridos. Os clichés todinhos. Atravessamos a aprazível vila do Torrão (duas albufeiras a visitar por aqui: Vale do Gaio e Pego do Altar) a caminho do destino de almoço, Alcácer do Sal. Vieram umas amêijoas, com o Sado ali ao pé.

Subimos ao Castelo/Pousada onde visitámos o museu da cripta arqueológica e assistimos a um breve filme sobre a longa história desta belíssima terra, antiga Salácia (entre outros nomes), por onde passaram romanos, visigodos, mouros e outros povos (aula de História ao vivo para os miúdos).

Terminámos o passeio a olhar o Sado e o perfil de Alcácer visto das muralhas. Adeus, Alentejo, até ao próximo passeio!

IMG_1357

 

Beijinhos a todas,

 

Céu

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·
Questionário ‘Ter 40′